Por que resolvi contar essa história
Eu quase nunca conto essa história com tantos detalhes, mas senti vontade de deixar tudo registrado. Não como promessa de dinheiro fácil, nem como história motivacional vazia, mas como um retrato honesto de uma fase da minha vida que foi difícil, cansativa e, muitas vezes, silenciosa.
Talvez você esteja lendo isso em um momento complicado. Talvez esteja cansada, sobrecarregada, com medo de errar, sem saber por onde começar. Então quero que você saiba: nada do que vou contar aqui aconteceu rápido, fácil ou sem insegurança.
A vida antes da renda online: trabalhar muito e ainda faltar tudo
Era início de 2020 quando comecei a trabalhar em um restaurante e em alguns hotéis como garçonete para conseguir me manter enquanto cursava faculdade de Biologia. Eu e meu marido morávamos em uma pequena vila no litoral, em uma casa de um único cômodo, extremamente precária.
Ele cursava Engenharia Civil e fazia bicos como entregador.
Nós dois estudávamos, trabalhávamos e vivíamos no limite.

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No restaurante, a rotina era pesada. Eu trabalhava seis dias por semana, fazia muitas horas extras e praticamente vivia para trabalhar. O dinheiro mal dava para pagar as contas. Era uma vida de muita privação: não dava para comprar roupas novas, não dava para descansar, não dava para ter uma alimentação decente.
E isso vai cansando a alma da gente.
A casa onde morávamos também não ajudava. Não era aquela ideia romantizada de vida simples. Era precariedade mesmo. Falta de estrutura, de conforto, de dignidade em alguns momentos.
Mas desistir não era uma opção.
Então a gente só seguia.
A pandemia e o fundo do poço silencioso
Quando a pandemia chegou, o medo se instalou de vez. Todo mundo lembra daquele período. Ninguém sabia o que ia acontecer, quanto tempo ia durar, se o trabalho iria continuar existindo.
Por sorte (ou necessidade), eu fui a única funcionária do restaurante que continuou trabalhando junto com a dona. A partir daí virei oficialmente “faz-tudo”: faxineira, atendente, auxiliar de cozinha, lavava pratos, organizava tudo.
Trabalhava mais do que nunca.
E ganhava menos.
O salário continuava mínimo, sem benefício algum, sem taxas de serviço. Passei meses nessa situação. E sim, passei por humilhações. Situações que a gente engole porque precisa pagar aluguel e comprar comida.
Até que chegou um momento em que algo dentro de mim cansou de vez.
Eu percebi que, se continuasse ali, aquela seria a minha vida por muitos anos.
Pedir demissão sem ter plano B (e com muito medo)
Eu pedi demissão sem ter um plano estruturado.
Sem reserva financeira.
Sem garantia nenhuma.
Só com a vontade de tentar algo diferente.
Eu queria trabalhar pela internet, mas não fazia ideia do que fazer. Hoje em dia parece comum, mas naquela época isso parecia distante, quase impossível. Ainda bem que eu não tinha filho naquele momento, porque eu não sei se teria coragem de dar esse salto hoje.
O primeiro trabalho remoto (e a primeira sensação de alívio)

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Pouco tempo depois, uma amiga — dessas que realmente mudam o rumo da vida da gente — me contou sobre uma oportunidade de trabalho remoto dando aulas de inglês para um curso online do Egito.
Eles buscavam professores que não falassem árabe, justamente para forçar os alunos a se comunicarem apenas em inglês.
Eu já tinha alguma experiência. Entre os 15 e 17 anos, dei aulas de inglês para crianças para conseguir pagar meu próprio curso. Resolvi tentar.
Fiz o teste. Passei.
O pagamento era baixo, mas eu estaria em casa. Isso, por si só, já era um ganho enorme. Dependendo da demanda, eu conseguia ganhar mais do que no restaurante. Pela primeira vez em muito tempo, comecei a respirar um pouco.
Meu marido também conseguiu um estágio remunerado e, juntos, conseguimos nos mudar para uma casa um pouco melhor — ainda ruim, ainda caindo aos pedaços, mas menos.
Tradução, dinheiro inesperado e a primeira grande virada
Meses depois, a escola de inglês começou a falir e eu precisei sair. Mais uma vez, a insegurança voltou.
Pouco tempo depois, essa mesma amiga me indicou para um trabalho de tradução para uma grande escola particular de São Paulo. Eu nunca tinha trabalhado profissionalmente com tradução ou revisão de textos.
Mesmo assim, apliquei.
Fiz os testes.
Passei.
O pagamento era algo que eu nunca tinha visto na vida. Em poucos meses, consegui ganhar cerca de 10 mil reais com esse contrato. Trabalhei muito, horas intensas, mas aquele dinheiro mudou nosso patamar.
Com ele, conseguimos comprar nosso primeiro carro usado.
Foi uma conquista enorme.
Mas o contrato acabou. E eu precisava, mais uma vez, de algo recorrente.
A busca por renda online (e tudo que não deu certo)
Entrei numa fase de pesquisar absolutamente tudo sobre ganhar dinheiro na internet. Era a época do boom do marketing de afiliados, promessas milagrosas, vídeos dizendo que você ficaria rica dormindo.
Nada funcionava pra mim.
Até que resolvi criar um perfil no Upwork.
O que é o Upwork e como ele funciona, na prática

O Upwork é uma plataforma internacional que conecta freelancers com empresas do mundo inteiro. Diferente de redes sociais, ali você não precisa ter seguidores. Você cria um perfil, se candidata às vagas e negocia diretamente com os clientes.
Funciona assim, de forma bem resumida:
- Você cria um perfil com suas habilidades
- As empresas publicam vagas
- Você envia propostas explicando por que é uma boa escolha
- Se for aceita, trabalha e recebe em dólar
No começo, é difícil.
Eu aplicava para vagas todos os dias e não recebia resposta nenhuma.
Até que um cliente russo me pagou 10 dólares para uma tradução simples. Depois vieram outros trabalhos pequenos. Instáveis. Pontuais.
Mas funcionava.
Insistir quando tudo ainda parece muito frágil
Mesmo com trabalhos pequenos, eu continuei. Porque eu não tinha muita escolha. A casa onde morávamos era tão precária que eu lavava os pratos com um balde embaixo da pia para jogar a água no quintal depois.
Isso não é metáfora. Era a realidade.
Com o tempo, surgiu um trabalho melhor: um blog do Reino Unido precisava de uma tradutora para português. Pagavam 11 dólares por hora. Na época, era o maior valor que eu já tinha recebido.
Esse trabalho durou quase quatro anos.
A renda em dólar e o começo da estabilidade

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Com muito esforço, economizando tudo que dava, contando com ajuda da família e fazendo empréstimos, conseguimos comprar um terreno e construir uma casa pequena.
Sem glamour.
Com muito medo.
Com muitas noites sem dormir.
Nesse período, recebi um convite no Upwork para trabalhar com treinamento de Inteligência Artificial. Isso era em 2021, antes mesmo do ChatGPT existir.
O pagamento era de 13 dólares por hora. Depois aumentou. Chegou a 18. Em alguns momentos, como especialista em Biologia, cheguei a ganhar até 50 dólares por hora.
Esse trabalho mudou a nossa vida.
As rendas complementares que testei (e que realmente funcionaram para mim)
Uma coisa importante que eu preciso te contar — e que quase ninguém fala com honestidade — é que eu nunca dependi de uma única fonte de renda online. Mesmo quando o Upwork virou minha principal base, eu sempre busquei diversificar.
Não porque eu fosse super organizada ou visionária, mas porque a instabilidade existe. Projetos acabam, contratos mudam, demandas oscilam. Ter rendas complementares sempre foi uma forma de respirar um pouco mais tranquila.
Ao longo dos anos, eu testei muita coisa. Muita mesmo. A maioria não funcionou, era confusa, mal paga ou simplesmente não valia o tempo investido.
Mas algumas deram certo — e, mais importante: continuam ativas hoje.
São essas que eu compartilho aqui.
Data Annotation: trabalho silencioso, mas que paga em dólar
O trabalho com Data Annotation foi uma das primeiras formas de renda complementar que realmente me surpreendeu. Basicamente, você ajuda a treinar inteligência artificial analisando dados, textos, respostas, imagens ou comportamentos.
Não é um trabalho glamouroso.
É repetitivo, exige atenção e seguir instruções à risca.
Mas paga em dólar.
Para quem lê bem em inglês e consegue manter foco por períodos curtos, é uma ótima opção para encaixar entre outras atividades. Em alguns momentos, esse tipo de trabalho foi o que manteve minha renda estável quando outros projetos diminuíram.
Já escrevi um tutorial completo explicando como funciona, como se candidatar e o que esperar desse tipo de plataforma.
Você pode se cadastrar nesse link e usar meu código de referência: ScGB4OU
Outlier: tarefas pontuais, mas com pagamento interessante
O Outlier entrou na minha vida em um momento em que eu precisava de algo mais flexível. Ele funciona de forma parecida com plataformas de treinamento de IA, oferecendo tarefas específicas, geralmente relacionadas à análise de textos, respostas ou dados.
O que chama atenção aqui é:
- Pagamento em dólar
- Tarefas relativamente curtas
- Possibilidade de trabalhar quando aparece demanda
Não é uma renda fixa.
Mas é uma renda complementar honesta.
Também deixei um guia completo explicando como funciona o Outlier, para quem ele faz sentido e como evitar frustrações.
Você pode se cadastrar através deste link.
Game Tester: sim, dá pra ganhar dinheiro testando jogos
Essa sempre chama a atenção quando eu comento.
Testar jogos parece coisa de sonho, mas a realidade é um pouco mais técnica.
O trabalho envolve:
- Testar funcionalidades
- Identificar erros
- Seguir roteiros específicos
- Reportar bugs corretamente
Não é “jogar por jogar”.
Mas é uma alternativa diferente, especialmente para quem gosta de tecnologia e já passa tempo no computador.
Não foi minha principal renda em nenhum momento, mas funcionou como complemento em fases específicas.
Já expliquei em outro post como funcionam essas plataformas e o que ninguém te conta antes de começar.
Você pode se cadastrar por este link.
Aurora Studio: tarefas criativas e projetos específicos
O Aurora Studio entrou como uma renda complementar mais criativa. Dependendo do projeto, envolve análise, organização de dados ou tarefas relacionadas a conteúdo digital.
O ponto positivo é que:
- Os projetos costumam ser bem definidos
- O pagamento é claro
- Não exige exposição ou redes sociais
É o tipo de trabalho que não aparece muito em vídeos de “renda online”, mas que existe e paga contas.
Tem um tutorial completo aqui no blog explicando como se candidatar e entender se faz sentido para você.
Você pode se cadastrar usando este link.
Venda de imagens geradas por IA na Adobe: renda lenta, mas cumulativa
Essa é uma das rendas mais silenciosas que eu tenho.
Eu vendo imagens geradas por inteligência artificial na Adobe Stock.
Vou ser muito honesta:
não é dinheiro rápido.
Mas é um tipo de renda que funciona no longo prazo. Você cria, sobe as imagens, organiza palavras-chave e, aos poucos, as vendas acontecem. Algumas imagens vendem várias vezes. Outras nunca vendem.
É quase um jogo de paciência.
Para mim, funciona como um complemento interessante, especialmente por não exigir horário fixo nem contato com clientes.
Já escrevi um post explicando como funciona a venda de imagens com IA, o que pode ou não ser vendido e como começar do jeito certo.
Você pode se cadastrar usando este link.
Por que estou contando tudo isso
Eu faço questão de deixar isso claro: essas foram as plataformas que realmente funcionaram para mim. Não estou repetindo lista da internet, nem indicando algo que nunca testei.
De tudo o que eu experimentei ao longo dos anos, essas foram as formas de renda complementar que:
- Pagaram de verdade
- Continuam ativas hoje
- Valeram meu tempo dentro da minha realidade
E o mais importante: nenhuma delas exigiu aparecer, ter seguidores ou virar “criadora de conteúdo”.
Cada uma tem seus limites.
Nenhuma é mágica.
Mas juntas, elas constroem algo mais sólido.
E se você está começando agora, talvez não precise escolher “a coisa perfeita”. Às vezes, o que você precisa é a primeira coisa possível.
Onde estamos hoje
Hoje moramos em nossa casa própria, temos um carro popular novo, temos um filho e vivemos com muito mais tranquilidade financeira.
Diversifiquei minhas fontes de renda ao longo do tempo, mas o Upwork foi o divisor de águas. Recentemente, inclusive, consegui um trabalho para uma empresa da Dinamarca, recebendo 25 dólares por hora, trabalhando de casa, com horários flexíveis, enquanto cuido do meu filho.
Conclusão: para mães cansadas, com medo, mas que ainda sonham

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Se você é mãe, está cansada, sobrecarregada, vivendo uma rotina que te machuca emocionalmente, eu quero falar diretamente com você agora.
Talvez você esteja em um trabalho que não respeita seus horários.
Talvez esteja vivendo dificuldades financeiras.
Talvez sinta culpa só de pensar em querer algo diferente.
O medo de começar na internet é real. O medo de não dar conta. O medo de perder tempo. O medo de falhar.
Eu senti tudo isso.
A renda online não é uma solução mágica. Ela não resolve tudo da noite para o dia. Mas ela pode ser uma porta. Uma alternativa. Um primeiro passo para sair de situações que nos adoecem.
Você não precisa largar tudo de uma vez.
Você não precisa saber tudo agora.
Você só precisa começar pequeno e com informação certa.
Se você quer entender melhor como funciona o Upwork, como criar um perfil do zero, como se candidatar às vagas e evitar erros comuns de iniciantes, eu escrevi um post completo explicando tudo isso com calma, pensando especialmente em quem está começando sem experiência.
Esse conteúdo pode te ajudar a enxergar possibilidades onde hoje só existe medo.
E, acima de tudo, quero que você saiba: não é tarde. Você não está atrasada. E a sua história também pode ganhar novos capítulos — mesmo no meio do caos.
